Sáb, 24 de Mai de 2008 9:26 pm
A volta de Alzira Power
por Ney Motta
Estréia hoje na Casa da Gávea o Prêmio Molière de Melhor Texto de 1969, a peça Alzira Power. Curiosamente, depois da montagem histórica, em 1970, sob a direção de Antônio Abujamra, não se tem notícia de outra montagem carioca profissional desta peça escrita pelo paulista Antônio Bivar. Na ocasião Yolanda Cardoso, que contracenava com Marcelo Picchi, ganhou todos os prêmios de melhor atriz com a personagem Alzira. Na montagem paulista, em 69, com o título original da peça, O Cão Siamês, direção de Emílio Di Biasi, também com Yolanda, trazia no lugar de Picchi o ator Antônio Fagundes, então com 21 anos. Quase quarenta anos depois, em meio as comemorações do Maio de 1968, Alzira Power volta aos palcos cariocas protagonizada por Cristina Pereira que divide setenta minutos de embates verbais e físicos com o ator Sidney Sampaio. A direção do espetáculo é de Gustavo Paso, o mesmo que em 2007 dirigiu o elogiadíssimo espetáculo ARIANO, apresentado nos palcos do CCBB do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Alzira (Cristina Pereira) é uma mulher sensacional, embora desbocada e agressiva. O fato de ter perdido seu "cão siamês" é a desculpa que usa para deflorar sua condição atual, uma funcionária pública aposentada, culta mas solitária, encarando com a rebeldia dos que se recusam a se enquadrar mansamente nos parâmetros medíocres de uma vidinha classe média. É com a desculpa da perda do cão que Alzira consegue atrair para sua quitinete, comprada com um financiamento pela Caixa Econômica, o jovem Ernesto (Sidney Sampaio), um vendedor que bate à sua porta. O rapaz, casado e com filhos, revela-se uma pessoa sem sonhos, conformado com sua vida modesta e sem perspectivas. Inicialmente humilhado, Ernesto é quase levado ao desespero pelas tantas perguntas que a insatisfeita Alzira o aflige. Para sair desta enrascada Ernesto terá que seduzir Alzira. O encontro entre figuras tão díspares produz um terremoto: o anarquismo sensorial de Alzira triunfa, massacrando a canhestra racionalidade de Ernesto. O que segue são vários rounds, em que os personagens se alternam no controle da situação.
"Alzira Power é uma metáfora do desejo de liberdade de expressão. É uma comédia perigosa. Ela foi escrita numa época em que as pessoas tinham tanta coisa na cabeça que as idéias formavam um turbilhão. A ambientação continua a mesma, final dos anos 60 e início dos 70, com a trilha sonora contextualizando esse período. A peça continua atual, contemporânea. É a história de uma mulher aposentada dos Correios e Telégrafos que deixa a porta do seu apartamento aberta até a entrada de um corretor de automóveis, vivido pelo Sidney Sampaio, querendo vender um fusca. Alzira tranca a porta, joga a chave pela janela e daí acontece um seqüestro "erótico - político", com situações loucas, muito engraçadas, mas também muito dramáticas entre essas personagens igualmente antagonistas.", afirma Cristina Pereira, que em 2009 completa 40 anos de carreira.
Já o diretor Gustavo Paso diz: "Estas figuras de mentalidades opostas vivem divertidíssimo confronto de idéias e desejos, absurdo e tragicômico, desafiando, com muito humor, o público a afirmar que neste país não há alguém que não conheça uma Alzira. Bivar maneja muito bem os recursos do humor e da fantasia, mergulhando profundamente na alma de uma mulher romântica e, ao mesmo tempo, dominadora. Alzira é um libelo de uma sociedade tacanha."
Segundo o saudoso Yan Michalski: "Na fase inicial, Bivar é um legítimo porta-voz do seu tempo que sabe captar, com humor muito expressivo, não raro utilizando-se do realismo e da fantasia, as inovadoras instâncias abertas pela revolução cultural desencadeada pelos jovens dos anos 60. Suas protagonistas das primeiras peças, notadamente, despertam simpatia e encarnam as aspirações do movimento feminista. Cordélia Brasil, Abre a Janela e O Cão Siamês ou Alzira Power são montadas em várias cidades, a primeira delas também na Argentina e na Espanha."
Completam a ficha técnica artística: Caique Botkay (trilha sonora), Paulo David Gusmão (luz), Teca Fichinsk (cenário e figurino), Jorge Luiz Cardoso (treinamento de voz) e Helena Varvaki (direção de movimento).
Casa da Gávea. Praça Santos Dumont 116, Gávea. Tel. 2239-3511. 80 lugares | Bilheteria: 2ª à 6ª feira a partir de 15h. Sábado e Domingo a partir de 17:30h
Estréia dia 23 de maio | Temporada: Sexta e sábado às 21 horas. Domingo às 20 horas. Até 06 de julho
Ingressos: R$30 | Classificação Etária: 14 anos | Duração: 70 minutos
A volta de Alzira Power
por Ney Motta
Estréia hoje na Casa da Gávea o Prêmio Molière de Melhor Texto de 1969, a peça Alzira Power. Curiosamente, depois da montagem histórica, em 1970, sob a direção de Antônio Abujamra, não se tem notícia de outra montagem carioca profissional desta peça escrita pelo paulista Antônio Bivar. Na ocasião Yolanda Cardoso, que contracenava com Marcelo Picchi, ganhou todos os prêmios de melhor atriz com a personagem Alzira. Na montagem paulista, em 69, com o título original da peça, O Cão Siamês, direção de Emílio Di Biasi, também com Yolanda, trazia no lugar de Picchi o ator Antônio Fagundes, então com 21 anos. Quase quarenta anos depois, em meio as comemorações do Maio de 1968, Alzira Power volta aos palcos cariocas protagonizada por Cristina Pereira que divide setenta minutos de embates verbais e físicos com o ator Sidney Sampaio. A direção do espetáculo é de Gustavo Paso, o mesmo que em 2007 dirigiu o elogiadíssimo espetáculo ARIANO, apresentado nos palcos do CCBB do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Alzira (Cristina Pereira) é uma mulher sensacional, embora desbocada e agressiva. O fato de ter perdido seu "cão siamês" é a desculpa que usa para deflorar sua condição atual, uma funcionária pública aposentada, culta mas solitária, encarando com a rebeldia dos que se recusam a se enquadrar mansamente nos parâmetros medíocres de uma vidinha classe média. É com a desculpa da perda do cão que Alzira consegue atrair para sua quitinete, comprada com um financiamento pela Caixa Econômica, o jovem Ernesto (Sidney Sampaio), um vendedor que bate à sua porta. O rapaz, casado e com filhos, revela-se uma pessoa sem sonhos, conformado com sua vida modesta e sem perspectivas. Inicialmente humilhado, Ernesto é quase levado ao desespero pelas tantas perguntas que a insatisfeita Alzira o aflige. Para sair desta enrascada Ernesto terá que seduzir Alzira. O encontro entre figuras tão díspares produz um terremoto: o anarquismo sensorial de Alzira triunfa, massacrando a canhestra racionalidade de Ernesto. O que segue são vários rounds, em que os personagens se alternam no controle da situação.
"Alzira Power é uma metáfora do desejo de liberdade de expressão. É uma comédia perigosa. Ela foi escrita numa época em que as pessoas tinham tanta coisa na cabeça que as idéias formavam um turbilhão. A ambientação continua a mesma, final dos anos 60 e início dos 70, com a trilha sonora contextualizando esse período. A peça continua atual, contemporânea. É a história de uma mulher aposentada dos Correios e Telégrafos que deixa a porta do seu apartamento aberta até a entrada de um corretor de automóveis, vivido pelo Sidney Sampaio, querendo vender um fusca. Alzira tranca a porta, joga a chave pela janela e daí acontece um seqüestro "erótico - político", com situações loucas, muito engraçadas, mas também muito dramáticas entre essas personagens igualmente antagonistas.", afirma Cristina Pereira, que em 2009 completa 40 anos de carreira.
Já o diretor Gustavo Paso diz: "Estas figuras de mentalidades opostas vivem divertidíssimo confronto de idéias e desejos, absurdo e tragicômico, desafiando, com muito humor, o público a afirmar que neste país não há alguém que não conheça uma Alzira. Bivar maneja muito bem os recursos do humor e da fantasia, mergulhando profundamente na alma de uma mulher romântica e, ao mesmo tempo, dominadora. Alzira é um libelo de uma sociedade tacanha."
Segundo o saudoso Yan Michalski: "Na fase inicial, Bivar é um legítimo porta-voz do seu tempo que sabe captar, com humor muito expressivo, não raro utilizando-se do realismo e da fantasia, as inovadoras instâncias abertas pela revolução cultural desencadeada pelos jovens dos anos 60. Suas protagonistas das primeiras peças, notadamente, despertam simpatia e encarnam as aspirações do movimento feminista. Cordélia Brasil, Abre a Janela e O Cão Siamês ou Alzira Power são montadas em várias cidades, a primeira delas também na Argentina e na Espanha."
Completam a ficha técnica artística: Caique Botkay (trilha sonora), Paulo David Gusmão (luz), Teca Fichinsk (cenário e figurino), Jorge Luiz Cardoso (treinamento de voz) e Helena Varvaki (direção de movimento).
Casa da Gávea. Praça Santos Dumont 116, Gávea. Tel. 2239-3511. 80 lugares | Bilheteria: 2ª à 6ª feira a partir de 15h. Sábado e Domingo a partir de 17:30h
Estréia dia 23 de maio | Temporada: Sexta e sábado às 21 horas. Domingo às 20 horas. Até 06 de julho
Ingressos: R$30 | Classificação Etária: 14 anos | Duração: 70 minutos